terça-feira, 30 de dezembro de 2008

LUAR TROVADO SESC PINHEIROS


Thomas se inspira em ópera de Schönberg

"Luar Trovado" une Deize Tigrona, Elke Maravilha e duas cantoras líricas 

IRINEU FRANCO PERPETUO 

FOLHA DE SAO PAULO

No palco, o funk de Deize Tigrona e o Carnaval de Elke Maravilha se juntam a duas cantoras líricas, uma orquestra de câmera e sons eletrônicos. Com direção cênica de Gerald Thomas e direção musical de Livio Tragtenberg, "Luar Trovado" é inspirado pelo "Pierrot Lunaire", de Arnold Schönberg.

Thomas tem uma relação bastante especial com a música do criador do dodecafonismo.

"Usei "Verklärte Nacht" ["A Noite Transfigurada"] em "Unglauber", e acho que "Moses und Aron", que dirigi na Áustria, em 98, foi o meu melhor espetáculo de ópera."

Aqui, ele ambienta a ação na Lua. A Terra foi destruída por uma catástrofe ecológica, e um grupo de aristocratas conseguiu escapar para o satélite em uma astronave. No palco, monitores de TV exibem imagens de guerras: Vietnã, Iraque, Hiroxima, Dresden.

"Fiz questão de rebatizar o espetáculo de "Luar Trovado" para ter a liberdade de inserir outras coisas", conta. "É como minha "Trilogia Kafka", que era baseada em Kafka. Ou como a "Carmen com Filtro", que não era Bizet, mas baseada nele."

A partitura de Schönberg será cantada pela soprano Adélia Issa. Acompanhada pela Orquestra de Câmara do Teatro São Pedro, de Porto Alegre, sob regência de Antonio Carlos Borges Cunha, ela interpreta uma versão para o português da obra, feita por Augusto de Campos.

"Pierrot" está dividido em três partes, incluindo 21 poemas de um ciclo homônimo, com 50 textos ao todo, do poeta simbolista belga Albert Giraud (1860-1929), e tem cerca de 35 minutos de duração. Em torno dele, Tragtenberg construiu suas intervenções -sua irmã, a soprano Lucila, canta o texto em alemão, mas com uma nova orquestração de Livio, baseada em sons eletrônicos.

"Clássico, para mim, é aquele com o qual você conversa, não que admira passivamente, em um pedestal", afirma. "Schönberg foi uma influência seminal na música do século 20, e minha idéia foi criar ressonâncias e reverberações em torno de sua obra."

No "Pierrot", o compositor utilizou uma técnica mista entre canto e declamação, chamada "sprechgesang" (cuja tradução livre poderia ser "canto falado"). Para Tragtenberg, o rap e o funk podem ser considerados ecos distantes desta técnica -e daí a participação de Deize Tigrona. E ter um nome como pierrô no título colocaria a obra em relação como o Carnaval, representado, no espetáculo, por Elke Maravilha.


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